domingo, 3 de janeiro de 2016

Juventude

#moniquefranco
a juventude em mim aflora
toda vez que você me devora
então vem meu bem
meu love
bora fazer cabelo, barba e bigode.


#moniquefranco, 2 de janeiro de 2016, já voando mundo afora

Meu poeta ou sobre o artista

Ademir Cândido
meu poeta só precisa
de um quarto
com ou sem luz
e um céu de estrelas

neste cenário ele desenha
por entre os dedos
por entre as cordas
neste chão ele apreende
por entre o elo
primeiro
inaugural
o som celestial

quem nunca ouviu
o cavaco chorar
a viola dançar
a guitarra uivar
não consegue entender
como nascem os deuses

eles são loucos
eles são poucos
não se iludam
ficam perambulando por aí
amantes que são
da madrugada
pois sabem
que do silêncio
que vem alvorada
melodia
harmonia
que conquistam
a namorada
prazer divino
tal qual suas músicas dedilhadas

meu deus! - posso dizer
nele creio e divido a jornada.

#moniquefranco, 2 de janeiro de 2016









quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz Ano Novo ou somos tantos e desiguais

#moniquefrancofotografia
#linhavermelha
#riodejaneiro, dezembro de 2015
uma rápida tromba d’água
lavou a tarde
que fechava
serena
o dia
ensolarado de verão
e o calendário cristão
anunciava a proximidade
do fim
de um ano novo agora velho
anunciava a chegada da virada
do relógio
trocando a noite pela madrugada
trocando os sonhos como se os dias
fossem só piada
ano novo
mais um
vida antiga que renova
apesar da descrença
em entender a pobreza
dos gananciosos desonestos
dos fracos mentirosos e traíras
apesar do cansaço
da imbecilidade
dos que a si mesmo enganam
e levam consigo
a paz e o sustento
de gente do bem

após o temporal
olho em volta e vejo
um longo período feudal
tantos servos
de regras
limites
corveias
moral vã
de acordos acadêmicos ou internacionais
tanto faz
o ego é o mesmo e a instituição
capataz
e as muralhas
cercam os estados
que nem são mais nacionais
olha como somos tantos e desiguais
mas que continuam
mesquinhos
a guerra vã por território
ou crença
que nunca
sabemos
é de nascença

o ir e vir deveria
ser firme e livre
aonde foi parar o global
a identidade se foi
a fé é a adesão sadia ao real que sacia
e assim o humano persiste
é mais que isso
e não ser é ter poder
então
lógico
que os detentores querem disso
de todos
esconder
se liga
a TV mente pra você

quisera a vida fosse mesmo passagem
e tudo apenas paisagem
não
não é
o ato
a prática
não tão somente o discurso
vá ser fraterno lá no inferno
molduram a história
de cada um e do mundo
riscam a trajetória
do mapa
e maculam a memória
dos que virão

se a loucura então é dizer não
rezemos todos
em todas as línguas ou religiões
hordas de loucos surgirão
negando dízimos
infringindo a lei dos poderosos
e rechaçando os penosos de si
pare irmão
de ter pena de si
pare de reclamar da sorte
a loja da vida é grátis
mas requer atenção
labuta e afeto
e o alimento bom é o que fomenta a partilha
libera o desejo
libido e gozo
sem alinhamentos planetários
sem reverencias à gurus
sem convenientes partidos
ora pois somos sóis e deuses de nós!

Feliz ano novo!
#moniquefranco, 31 de dezembro de 2015











quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Ocupação sem pontos ou sobre os possíveis bordados que libertam


não
não quero mais
nada
que valha
a pena
serve
apenas
para pintar de escrita
a escuta
ancestral
e o cheiro de jaca
invade o verão
e enche de gosto
meu coração

não
não quero mais
nada de pontos
nada de notas
capsulas medíocres
nada contam
nada medem
nada fazem
da ciência de encurtar filas
curar epidemias
apontar o descaso público
e os abusos privados
pontos para mim só os bordados
que enchem os céus de estrelas
e dão nó eterno aos enamorados

não
não quero mais
nada que perturbe
a crença sagrada
de que a educação não se mede
e a cultura é tão somente
o espelho de nós
não dirigentes
supostos
mandantes e seus desmandos
os estudantes
não querem mais
escolas com grades
notas com louvor
réguas para escalar
o horizonte
este sim
é o nosso lugar
e vamos ocupar.


#moniquefranco, 23 de dezembro de 2016, ocupando de cheio o vazio medíocre das academias vulgares